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Sep 25, 2026 03:39 PM
Na FQM, o estágio tem uma função escrita com todas as letras: é o primeiro pipeline de reposição de vagas da empresa. Em 2025, eram 80 estagiários no programa Princípio Ativo, espalhados por unidades diferentes, que se encontram na mesma sala uma vez por ano, no Dia do Estagiário.
Em agosto de 2025, a Academia do Universitário foi convidada para conduzir a palestra desse dia. Este texto conta o que a FQM espera do estágio, o que a própria turma respondeu ao vivo e o que muda quando uma voz de fora reforça a mensagem da casa. Quem fala são Clarissa Frossard, gerente de RH, e Karla Costa, analista de RH sênior, que organiza o evento.
A FQM é uma farmacêutica brasileira, com operação em duas frentes de negócio, Consumo e Prescrição.
O estágio como primeiro pipeline
É uma alimentação do nosso primeiro pipeline de reposição de vagas. É um grupo que a gente forma desde que chega.
A frase define o programa inteiro. Estagiário, ali, não é apoio operacional com prazo de validade. É a primeira camada da reposição de vagas. Parte da turma vem até de antes: do Primeiro Passo, o programa de Jovem Aprendiz da empresa.
Eles já vêm com um DNA FQM muito consolidado.
O programa tem uma trilha de desenvolvimento que vai além da rotina da área. Dentro dela, um diretor da empresa conduz encontros sobre competências de futuro, e os estagiários apresentam projetos ligando o conteúdo ao que poderiam aplicar na FQM.
O desafio, na leitura da própria Clarissa, não é atrair. É segurar.
É um desafio para a gente hoje retê-los e trazer cada vez mais projetos e programas que possam usufruir do que eles têm. Eles são muito talentosos. É um potencial absurdo.
Quando o estágio é pipeline, reter vira o indicador central. Um estagiário que sai no fim do contrato leva embora até dois anos de formação e deixa um buraco na fila de reposição. O custo não aparece na folha. Aparece na vaga que precisa ser preenchida de fora, mais cara e mais lenta.
Um dia por ano, todo mundo na mesma sala
O Dia do Estagiário é tradição na FQM e acontece todos os anos.
É o único momento que a gente consegue reunir todo mundo aqui de forma presencial.
O resto do ano, o contato com os estagiários é quase todo online, porque são unidades diferentes. Isso cria um ponto cego que qualquer programa distribuído conhece bem:
A gente não consegue ter tanta noção da expectativa deles em relação ao evento. Mas, quando encerra, que a gente vê que eles gostaram, aí a gente tem certeza que a gente tá no caminho certo.
E a sala é heterogênea. Tinha gente com dois dias de estágio sentada ao lado de gente fechando dois anos.
Tem um detalhe do formato que vale copiar. A FQM leva cartões com perguntas prontas para os estagiários fazerem aos gestores presentes, e manda as perguntas para os gestores antes. Os primeiros cartões quebram o gelo. Depois, a turma para de ler e começa a perguntar o que quer, e aí os gestores precisam, nas palavras da Karla, "se desenrolar pra poder responder". A pergunta que o gestor não ensaiou é a que mais ensina sobre o programa.
O que a turma respondeu ao vivo
A palestra, "Como alcançar o máximo do meu potencial no estágio?", foi toda conduzida com perguntas no Mentimeter, respondidas pelo celular, com o resultado na tela na hora.
O que os estagiários responderam | O que isso pede do programa |
O mais difícil é pegar mais responsabilidade. Foi a resposta mais votada, à frente de fazer boas perguntas e criar relacionamentos profissionais | A turma sabe cumprir tarefa. O que falta é espaço e permissão para ser dona de alguma coisa. Isso é desenho de escopo, não falta de atitude |
Principal competência que acreditam ter: resiliência, flexibilidade e agilidade, escolhida por quase metade da sala | É a competência que o estágio mais exige de quem concilia faculdade, deslocamento e trabalho. Vale transformar essa força em entrega visível |
Da liderança, em uma palavra, esperam feedback, a palavra mais citada, seguida de aprendizado, valorização e mentoria | O pedido não é benefício. É conversa. Programa sem ritual de feedback entre gestor e estagiário deixa o principal pedido sem resposta |
O encontro em uma palavra: enriquecedor, a mais citada pela turma | Quando a turma participa, o evento deixa de ser obrigação de agenda e vira momento de desenvolvimento |
A primeira linha é a que mais chama atenção. A intuição comum é que o estagiário tem medo de assumir demais. A resposta da sala foi a oposta: ele quer assumir mais e sente que isso é difícil. É um convite para o gestor, não uma queixa do estagiário.
Interação não é enfeite
Para a Karla, o formato é parte do conteúdo:
Eu achei super interativo. Eu sinto que eles têm essa necessidade, né, da troca, da conversa, de algo prático, dinâmico e dessa interação.
E mais adiante:
Você conseguiu ter uma comunicação com eles, assim, que eles riram, eles conseguiram se enxergar na tua história.
Palestra para estagiário que funciona como aula expositiva perde a sala nos primeiros minutos. Quando a turma responde, vê o próprio resultado na tela e é chamada para o microfone, ela para de assistir e começa a participar.
O risco de trazer alguém de fora
Toda área de RH que já contratou palestrante conhece a dúvida. A Clarissa descreveu assim:
Olha, Diego, eu acho que você surpreendeu nas expectativas, porque, assim, quando a gente acaba trazendo um de fora, um externo, acaba que a gente fica na dúvida se vai corresponder, se vai conseguir encaixar no que a gente busca.
O que ela destacou como resultado não foi a informação nova. Foi a mudança de postura:
Você acaba fazendo eles despertarem mais, eles se sentirem mais protagonistas desse processo. Não é só ficar recebendo. Adorei quando você fala: não espera a organização, investe no seu desenvolvimento, investe em curso, leiam.
Aqui vale uma honestidade: quase nada do que foi dito na palestra era inédito para a liderança da FQM. Os gestores já dizem essas coisas. A diferença é quem diz. Uma voz de fora, mais próxima da idade e da trajetória de quem está ouvindo, funciona como irmão mais velho: repete o que a liderança já falava e, de repente, a turma escuta. É por isso que uma ação externa de desenvolvimento rende mais quando reforça a mensagem da casa do que quando tenta substituí-la.
Fomos muito assertivos em trazer você.
Assista ao case completo

Clarissa Frossard, gerente de RH, e Karla Costa, analista de RH sênior da FQM, sobre o programa Princípio Ativo e o Dia do Estagiário de 2025.
Perguntas frequentes
Vale fazer um Dia do Estagiário presencial se o programa é distribuído em várias unidades?
Vale, principalmente por isso. Na FQM, o contato com os estagiários no resto do ano é quase todo online, e o encontro presencial é o único momento em que o RH vê a reação da turma inteira. Funciona como termômetro do programa, além de integrar quem acabou de chegar com quem está saindo.
Como fazer estagiário participar em evento com gestores?
Dando a primeira pergunta pronta. A FQM usa cartões com perguntas sugeridas: os primeiros quebram o gelo e, depois, a turma já cria as próprias perguntas. Mandar as perguntas antes para os gestores ajuda, mas as melhores trocas vêm das perguntas que ninguém ensaiou.
O que estagiários mais esperam da liderança?
Na turma da FQM, respondendo em uma palavra, a mais citada foi feedback, seguida de aprendizado, valorização e mentoria. O pedido é de conversa frequente e direção, não de benefício.
Palestra externa funciona para desenvolver estagiários?
Funciona quando reforça a mensagem da empresa em vez de competir com ela, e quando é interativa. O ganho descrito pela FQM foi de postura: estagiários mais protagonistas do próprio desenvolvimento. Uma palestra sozinha não substitui trilha. Ela potencializa a trilha que já existe.
Por que tratar estágio como pipeline de reposição de vagas?
Porque é o que ele é quando funciona. Na FQM, o estagiário muitas vezes chega do Jovem Aprendiz com a cultura da empresa já absorvida. Perder essa pessoa no fim do contrato significa buscar de fora um profissional que já estava sendo formado dentro. Por isso a retenção, e não a atração, vira o desafio central.
O que fazer com isso
Se o seu programa de estágio tem estagiários em mais de uma unidade, faça a pergunta que a FQM responde uma vez por ano: você sabe o que a sua turma diria se tivesse a chance de responder ao vivo, sem filtro? Depois pergunte de verdade. Três perguntas no celular, com o resultado na tela, contam mais sobre o programa do que uma pesquisa anual.
E olhe com atenção para a primeira linha da tabela. Se o que a sua turma acha mais difícil é pegar mais responsabilidade, o próximo passo não é mais um treinamento de atitude. É o gestor abrir espaço.
Para ver outros programas em ação, leia o case RJZ Cyrela, que também passou por um Dia do Estagiário com a AU, e o case RD Saúde, sobre uma trilha de desenvolvimento que forma líderes. A Pesquisa Jovens Talentos 2026 mostra onde a experiência do estagiário costuma quebrar.
A Academia do Universitário leva palestras e workshops de desenvolvimento para turmas de estagiários, dentro ou fora de um programa gerido por nós. E é o Sistema Operacional de Estágio que empresas como RD Saúde, RJZ Cyrela, ICONIC, Vibra Energia, Ipiranga e Volkswagen usam para atrair, gerir e desenvolver estagiários com método. Fale com a gente e veja como fica na sua operação.

