Índice
- O número que muda o desenho: processo contínuo
- O banco de talentos funciona mesmo
- Os critérios, e o que não está neles
- A decisão de sair das universidades target
- Atração segmentada por perfil, não por campanha única
- Micro-influenciador vale mais que grande influenciador
- A ação para diversificar o banco de talentos
- O desafio de comunicar um conglomerado
- Como o banco enxerga o estagiário
- Os dois programas internos que fazem a diferença
- Sobre o mito da tarefa chata
- Assista ao episódio completo
- Perguntas frequentes
- O que fazer com isso

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Sep 9, 2026 09:07 PM
Cinco mil vagas de estágio por ano, sem onda de contratação, com banco de talentos aberto o ano inteiro.
Esse é o tamanho do programa de estágio do Itaú, destrinchado no RHZ por Ana Paula Cassimiro, responsável pelos programas de estágio e de Jovem Aprendiz do banco, e Ingrid Correia, coordenadora de Atração e Marca Empregadora. Ingrid, aliás, entrou no banco como estagiária em 2015.
O que segue é o funcionamento real do programa, nas quatro etapas: atração, seleção, gestão e desenvolvimento.
O número que muda o desenho: processo contínuo
A primeira diferença em relação à maioria dos programas não é o volume, é o calendário.
A gente tem um processo contínuo. Ele não para. A gente não tem ondas de contratação, não tem momentos de parada. A pessoa saiu, a gente já faz a reposição. Tem uma nova cadeira, a gente não precisa esperar nenhuma janela.
Com cerca de 5 mil vagas por ano, divididas em dois programas de tamanho parecido:
Programa | Característica |
Rede de agências | Modelo unificado e estático, espalhado pelo Brasil inteiro. O que varia é a região |
Corporativo | Concentrado em São Paulo, abrange marketing, finanças, RH, tecnologia, atacado e as empresas do conglomerado |
A maior parte das empresas roda o programa por safra porque a safra simplifica a logística. O custo escondido é que a vaga que abre em março espera até agosto, e a área passa cinco meses sem a pessoa.
O banco de talentos funciona mesmo
Esse ponto vale para qualquer candidato que já desconfiou de cadastro.
A gente trabalha com os bancos de talentos. A geração às vezes pode falar: eu estou me inscrevendo no banco de talentos, eu nunca vou ser chamada. Gente, não acreditem, aqui funciona. Até porque a gente só faz a busca pelo banco de talentos mesmo.
O banco fica aberto o tempo todo, e quando a vaga aparece a busca acontece por filtros dentro dele.
Os critérios, e o que não está neles
A lista de requisitos é curta:
- Curso compatível com a área
- Localização
- Ano de formação, com preferência do segundo ao penúltimo ano
- Algumas ferramentas básicas, do tipo Excel ou noção de programação
E Ana Paula faz questão de marcar o que não entra:
A gente não tem o critério da necessidade de experiências anteriores.
Sobre as ferramentas, ela também calibra a expectativa:
São ferramentas que eles aprendem na universidade mesmo, que faz parte da grade. Não é nada muito complexo.
Exigir experiência prévia em vaga de estágio é o filtro que mais reduz funil e menos prevê desempenho, e o maior programa de estágio do país não usa.
A decisão de sair das universidades target
Esse trecho contraria a prática de boa parte do mercado:
A gente quer sair um pouco da universidade tradicional, das top, target. Hoje a gente tem buscado atrair candidatos também das universidades que tenham cursos a distância, e que não estejam popularmente nesse hype.
E a razão é estrutural, não de imagem:
Dado que o pilar de diversidade é importante, a gente começa a construir ele já desde o momento da contratação da pessoa estagiária.
Quem filtra por um punhado de instituições de elite está filtrando, na prática, por classe social de origem. E depois monta comitê de diversidade para corrigir na saída o que foi decidido na entrada.
Atração segmentada por perfil, não por campanha única
Ingrid descreve uma operação de atração que muda de canal conforme o perfil buscado. Dois exemplos que ela dá:
Para especialista de investimentos, uma base de profissionais certificados na Anbima e um convite por e-mail para uma live. Para perfil de blockchain e cripto, alunos de engenharia que já passaram por eventos do banco.
Além disso, três frentes permanentes: eventos, parceiros e universidades. Ela cita a Companhia de Talentos e a Fundação Estudar como parceiros relevantes nos cargos de entrada.
Micro-influenciador vale mais que grande influenciador
A leitura de mídia dela é específica:
O micro-influenciador hoje tem um poder de conversão muito maior até do que os macro, do que os big influencers.
O parceiro citado é a Digital Favela, agência ligada à CUFA, que conecta o banco a criadores que falam a linguagem do público que eles querem alcançar. E o método importa mais que a escolha:
Eu passo um briefing e a gente deixa eles criarem de acordo com a linguagem que eles falam, inclusive para que eles tenham credibilidade frente aos seguidores.
Ela é honesta sobre o que isso entrega:
É mais com força em marca empregadora do que necessariamente conversão direta. Mas quando a gente alcança esse perfil, ele já nos conhece, porque já ouviu o influencer que ele segue falar.
Marca empregadora aqui não é medida em candidatura, é medida em reconhecimento prévio. Quem já ouviu falar bem custa menos para converter depois.
A ação para diversificar o banco de talentos
Quando perceberam que o banco de talentos precisava ser mais diverso em raça, gênero e pessoas com deficiência, criaram uma ação com janela de inscrição delimitada, batizada de Stack Experience.
O desenho tem um detalhe esperto: em vez de o RH decidir quais vagas entram, os gestores foram convidados a inscrever as próprias vagas na ação.
É o mesmo mecanismo de comprometimento que aparece em prepare a liderança antes de o estagiário chegar: quem escolhe participar defende o resultado.
O desafio de comunicar um conglomerado
Ingrid descreve um problema que toda empresa grande tem e poucas admitem:
Existe até uma dificuldade interna mesmo, às vezes, da gente entender o que é que a gente quer levar para fora.
O banco tem mais de 90 mil colaboradores, quase um século de história, e mudou de estrutura várias vezes só nos oito anos em que ela está lá. Além do banco em si, há um banco digital, um escritório de investimentos e um marketplace no mesmo guarda-chuva.
O dado que ela usa para quebrar a percepção de "bancão":
A gente também se posiciona como uma empresa de tecnologia. A gente tem mais de 9 mil colaboradores na área de tecnologia. Desses, 2 mil são mulheres.
A solução adotada foi buscar um fio condutor único, a partir de uma revisão dos pilares culturais. Três deles, citados por ela: querer diversidade, ser movido por resultado, e ir de turma, essa última uma expressão do próprio presidente do banco que virou pilar.
Como o banco enxerga o estagiário
Esse é o ponto que sustenta todo o investimento:
Hoje o estagiário a gente enxerga muito como o potencial para as nossas vagas efetivas. É um programa porta de entrada, para depois a gente conseguir abastecer o pipeline das próximas cadeiras.
E eles medem isso:
A gente faz alguns acompanhamentos para entender como é a performance dos estagiários. Quanto que um estagiário performa perante outras pessoas que vêm de mercado, perante outros programas. E a gente percebe que essa curva é super satisfatória, ela super se destaca.
Comparar a curva de desempenho de quem veio do programa contra quem veio do mercado é a medida que justifica o orçamento. É também a que quase ninguém faz, porque exige acompanhar a pessoa anos depois da efetivação.
Para comparar desenhos, vale ver o modelo por ciclo único anual, com painel de business case, adotado em programa de estágio da Vale.
Ana Paula cita diretores do banco que entraram pelo programa de estágio. Ingrid é um caso vivo: entrou em 2015 em planejamento financeiro, migrou para RH ainda como estagiária e hoje coordena atração e marca empregadora.
Os dois programas internos que fazem a diferença
O que permitiu a movimentação dela não foi o escopo da vaga, foram dois programas paralelos.
Transformação Estagiários, um programa de voluntariado ligado à Itaú Social, em que estagiários se reúnem para uma ação em uma ONG. Foi ali que ela conheceu um analista de RH e conseguiu fazer a ponte para a área que queria.
Talentos em Ação, em que trainees do banco recebem um grupo de estagiários para criar e conduzir um projeto em conjunto. O trainee treina liderança, o estagiário ganha um projeto real, e a empresa paga uma vez por dois desenvolvimentos.
Ela resume o valor disso:
Tudo isso eu fui fazendo dentro das minhas seis horas, junto com as minhas atividades dentro da área. O programa tem alternativas para que a gente possa explorar outras competências que, de repente, no escopo só da atividade, a gente não conseguiria.
Sobre o mito da tarefa chata
Perguntadas sobre a fama de que estagiário de banco fica fazendo o que ninguém quer, a resposta não é defensiva:
A gente faz muito isso, sim. Mas a gente faz como analista, faz como coordenador, faz como gerente também. E faz parte da vida.
Honesto e correto. O problema nunca foi a tarefa operacional existir. É ela ser a única coisa que a pessoa faz, sem projeto, sem tutoria e sem caminho de saída.
Assista ao episódio completo

Ana Paula Cassimiro e Ingrid Correia, do Itaú, no RHZ com Diego Cidade.
Perguntas frequentes
Quantas vagas de estágio o Itaú abre por ano?
Cerca de 5 mil, segundo as responsáveis pelo programa, divididas em proporção parecida entre a rede de agências e o programa corporativo.
O programa de estágio do Itaú tem inscrição em período específico?
Não. O processo é contínuo, sem ondas de contratação. A candidatura fica no banco de talentos e a busca acontece quando a vaga surge.
Quais são os requisitos para estagiar no Itaú?
Curso compatível, localização, ano de formação entre o segundo e o penúltimo ano, e noções de ferramentas básicas. Não é exigida experiência anterior.
Vale a pena se cadastrar no banco de talentos?
Segundo a responsável pelo programa, sim, porque a busca por candidatos acontece exatamente ali. O banco fica aberto o ano inteiro.
O Itaú só contrata de universidades de primeira linha?
Não. Há uma decisão explícita de ampliar para além das instituições target, incluindo universidades com cursos a distância, como parte da estratégia de diversidade.
O que acontece depois do estágio?
O programa é tratado como porta de entrada para vagas efetivas, e o banco acompanha a curva de desempenho de quem veio do programa comparada à de quem veio do mercado.
O que fazer com isso
Se o seu programa roda por safra, calcule quantos dias em média uma vaga fica aberta esperando a próxima janela. Multiplique pelo número de vagas. Esse é o custo do calendário, e ele raramente aparece em relatório.
Depois olhe a sua lista de requisitos de estágio. Se houver exigência de experiência anterior, você está pedindo mais que o maior programa de estágio do país, e provavelmente sem ganho de qualidade.
E se você nunca comparou o desempenho de quem veio do seu programa com o de quem veio do mercado, essa é a conta que transforma estágio de custo em investimento na discussão de orçamento.
Programa de estágio bem feito é sistema, não improviso. A AU é o Sistema Operacional de Estágio que empresas como Vibra Energia, Ipiranga, ICONIC, Volkswagen e Cyrela usam para atrair, gerir e desenvolver estagiários com método. Fale com a gente e veja como fica na sua operação.


