
10 lições do Vale do Silício para quem contrata a nova geração
O que quatro dias entre Brex, Stanford, Replit, Google e Cursor mostraram sobre IA, primeiro emprego e o papel do gestor. Com um guia para levar ao seu time.
A Pesquisa Jovens Talentos 2026 chegou. Baixe o box completo, de graça.Pesquisa Jovens Talentos 2026: baixe o box grátis.
Vídeo
Replit, Netflix e a palestra do Alex Dantas, lidas por quem contrata: a porta de entrada segue aberta, mas o que abre essa porta agora é saber construir com IA.
O segundo dia começou na Replit, uma das plataformas em que qualquer pessoa cria um aplicativo conversando com a IA.
No fim do tour eu fiz a pergunta que qualquer RH faria: como vocês contratam? Têm ATS próprio ou compram de alguém?
Antes de comprar qualquer software, eles se perguntam se conseguem construir. E, segundo quem recebeu a gente, na maioria das vezes a resposta é sim.
Pra quem é de RH: a pergunta "dá pra construir?" entra no repertório do seu time, e quem chega agora tende a chegar fazendo essa pergunta. Formulário, painel, uma triagem simples. Vale combinar com TI e segurança onde isso pode rodar, antes que aconteça por fora.
Perguntei também o que eles procuram em quem entra: gente que já usa IA, que tem história de construir com ela, que liga pro produto e pro detalhe e que se move rápido. Ele contou que em 30 dias foram 26 lançamentos.
E falou de um engenheiro que entrou com 17 anos, depois de já ter vendido o próprio app. Qualquer idade é bem-vinda, foi o que ele disse, com um porém: experiência de pesquisa ou mão na massa de verdade ajuda muito.
Ninguém ali falou em anos de experiência. A conversa toda foi sobre o que a pessoa já construiu.
A NewHack, que organizou a imersão, resumiu a visita assim: "quando construir fica mais acessível, aumenta a importância de saber para quem construir" (card da Replit). No processo seletivo, pedir pro candidato mostrar o que construiu, e pra quem, diz mais do que uma lista de ferramentas no currículo.
Depois, Netflix, em Los Gatos. O lobby, o ON AIR, a parede de pôsteres, os murais, uma placa escrita Intern no campus. A conversa lá dentro foi fechada, e o que foi dito lá fica lá.
O que eu divido é o que eu mesmo pensei e gravei na saída, olhando para o Brasil.
Muita empresa grande no Brasil fica presa a uma ferramenta só de IA, e quem quer ir além acaba usando IA no pessoal, por fora. Isso me deixa muito preocupado.
E tem o outro lado: o universitário brasileiro não é AI native, porque a faculdade ainda não vive isso. Falei disso na aula do MBA. Pro estagiário gerar volume, ele precisa aprender dentro da empresa, com contexto, repositório e memória. É criar o playbook de IA do júnior, igual a gente cria um POP. É simples, e precisa ser feito pra ontem.
Antes da Netflix, teve um respiro no Apple Park, em Cupertino, com um café gigante hehe.
No fim da tarde, Mountain View. A Circuit Launch é um espaço de coworking e co-manufatura pra startups de hardware e robótica, e quem fundou é brasileiro: o Alex Dantas.
Ele contou que hoje são mais de 120 empresas residentes nos dois prédios. Na van, o Rodrigo Terron contou que o Alex abriu a casa pros eventos dele logo que os dois se conheceram.
O que mais me pegou foi a Mechlabs, a frente de educação dele: engenharia mecatrônica sem livro, sem professor e sem teoria. Você escolhe um projeto, trava em algum ponto e vai atrás do que falta. Ele contou que, das cerca de 500 pessoas que passaram pelos experimentos, umas 350 já trabalhavam e queriam mudar de carreira.
O card da NewHack lembra que aprender construindo pede demonstrar a habilidade, não só consumir a explicação da IA (card da Circuit Launch). Pra quem desenha trilha de desenvolvimento, a pergunta prática é: qual projeto real o seu estagiário entrega nos primeiros 90 dias?
O Alex já foi bailarino clássico, morou na rua em São Francisco, serviu no Exército americano e abriu cinco empresas de software que não deram certo.
Pra ele, empreendedor precisava de três habilidades: levantar dinheiro, contratar e repetir a mesma direção pra todo mundo. E a IA matou a segunda. Nas palavras dele: "a melhor pessoa para você investir nela hoje é aquela pessoa que aprendeu a usar a IA para não contratar ninguém".
Aí veio a história que mais me marcou. Uma jovem tinha feito mais de 500 candidaturas sem conseguir emprego. Chegou na entrevista com ele dizendo que trazia 30 agentes trabalhando pra ela. Foi contratada.
O Alex também disse que não contrata programador que não usa IA. A visão dele sobre contratar é bem diferente da que eu ouvi na Brex, no Dia 1, onde usar mais IA não diminuiu vagas. As duas estão na mesa, e eu trouxe as duas.
O que eu leio como RH: a porta segue aberta, mas o processo precisa enxergar como a pessoa trabalha com IA.
No caso dela, o que pesou foi mostrar como trabalhava com IA e ter alguém do outro lado olhando pra isso. Então vale conferir: em que etapa o seu processo seletivo enxerga isso?
O recado dele pra quem está começando: você precisa dominar umas sete a dez ferramentas de IA. Não precisa aprender a programar.
E fez questão de não ser mal entendido: pra ele, este é um período de aprender mais, e não menos. E disse que o que a faculdade ensina em quatro anos dá pra aprender em um.
E teve o momento mais humano. Ele contou que essa conversa estava começando a fazer mal a ele, porque está vendo muita gente perder emprego por causa de IA. Se a IA der errado, é ruim. "Dando certo é pior", disse ele, porque aí tudo o que ele mostrou fica possível.
Eu e o Felipe Oliveira, da AU, fizemos várias perguntas. A minha última foi sobre o Brasil, e a resposta dele foi: "a gente acredita demais na nossa dificuldade".
Você não precisa concordar com tudo. Pra ele, por exemplo, nenhum mentor faz melhor que a IA. Eu sigo achando que, sem gestor, o estagiário não cresce. Mas fico com a régua concreta: sete a dez ferramentas cabem numa trilha de estágio, e o letramento precisa ser toda semana, não uma vez por ano.
Esse não é um período de aprender menos, é aprender mais. (Alex Dantas, na Circuit Launch)
A palestra completa do Alex está no YouTube, publicada com autorização dele.
A série começa no Dia 1, com Stanford, Brex e AGI House. Depois vêm o Dia 3, com Google, Adobe e a garagem da HP, e o Dia 4, com Hexagon, Firecrawl e Cursor.
Pro resumo de tudo, vai nos 10 insights do Vale do Silício sobre IA e primeiro emprego. Lá tem um material pra baixar e levar pra discussão com o seu time.

O que quatro dias entre Brex, Stanford, Replit, Google e Cursor mostraram sobre IA, primeiro emprego e o papel do gestor. Com um guia para levar ao seu time.

Na Brex, a IA não tirou vaga e o candidato usa IA na entrevista técnica. Em Stanford, o primeiro trabalho como parte da formação. O que isso pede de quem contrata a nova geração.

Um dia de conversas fechadas no Google, na Adobe e na garagem da HP rendeu três leituras para o RH: empresa júnior como experiência, o ex-estagiário que volta e o jovem que acha que a vaga não é para ele.

Hexagon, Firecrawl e Cursor no último dia da imersão: por que quem já se arriscou abre porta, o papel do gestor no crescimento do estagiário e o que os agentes de IA pedem do RH.

Projeto real do começo ao pitch e efetivação como meta: a trilha da turma de estágio de 2025.

O estágio como pipeline de vagas e o que a turma respondeu ao vivo no Dia do Estagiário.
Comunidade fechada
No Clube RHZ, líderes de RH discutem com a gente, ao vivo, o que a nova geração e a IA estão mudando no trabalho. A entrada é curada e depende de aprovação.