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    Vale do Silício, Dia 1: entrevista com IA liberada e a vaga que não sumiu

    Diego Cidade6 de outubro de 20266 min de leitura

    Na Brex, a IA não tirou vaga e o candidato usa IA na entrevista técnica. Em Stanford, o primeiro trabalho como parte da formação. O que isso pede de quem contrata a nova geração.

    EventoVale do Silício 2026 · Imersão NewHack
    Data6 de outubro de 2026
    Conduzido porDiego Cidade · CEO da Academia do Universitário
    ColeçãoClube RHZ
    19 e 21 anos
    idade de dois dos grandes engenheiros do time da Brex, segundo o líder de Product AI
    1 hora
    de projeto com IA liberada na entrevista técnica da Brex, ao lado de um engenheiro do time
    45 segundos
    de gravação de voz usados na demo da Agora para criar um avatar com a voz do executivo

    Estar no Vale do Silício é um sonho que eu tenho desde o estágio. Meu chefe da época vinha pra cá, voltava contando tudo e um dia me trouxe um livro sobre o Vale, assinado pela autora. De presente pro estagiário dele, que era eu.

    No dia 06/10 eu comecei a imersão da NewHack, com o Rodrigo Terron e o Felipe Oliveira, da AU, com uma pergunta na cabeça: o que a IA está mudando no começo de carreira? Esta é a leitura do primeiro dia pra quem contrata e desenvolve gente.

    Na Brex, a IA não tirou vaga

    A Brex é uma fintech fundada por dois brasileiros e comprada pela Capital One. Quem recebeu a gente foi o Hércules Gimenes, um dos líderes técnicos de Product AI.

    Perguntaram se a IA tinha reduzido vagas. A resposta: usar mais IA não diminuiu a quantidade de vagas, pelo contrário. Quando um recurso fica abundante, a gente usa ainda mais dele.

    O que mudou foi o perfil. Hoje eles contratam muito mais gente com o que chamam de high agency: proatividade, visão de produto e de execução. A expectativa era de que isso fosse difícil pra quem está começando. Não foi. Ele contou que dois dos grandes engenheiros do time têm 19 e 21 anos.

    Pra quem desenha programa de estágio: se o que pesa é iniciativa, o requisito de experiência prévia na vaga de entrada perde o sentido, e o processo precisa de uma etapa que mostre iniciativa sem depender do currículo.

    A entrevista em que o candidato pode usar IA

    Eu perguntei como é a contratação lá. Pipeline comum de empresa de tecnologia, com ATS, triagem e scorecard. E ele disse que sourcing ainda é muito humano: sem o hype dos grandes laboratórios de IA, eles precisam achar o candidato que não é o óbvio.

    Depois de um screening técnico, o candidato recebe um projeto de uma hora, com IA liberada, ao lado de um engenheiro do time. O Hércules foi honesto sobre o risco: se a pessoa só pede pra IA fazer tudo, você está avaliando o modelo, e não o candidato. Por isso o formato precisa ser bem calibrado.

    Segundo ele, bem calibrada, essa hora condensa um ciclo de umas cinco. E como o código sai rápido, o gargalo vira quebrar o problema, priorizar, entender a regra de negócio e fazer as perguntas certas.

    Isso vale além da engenharia. Proibir IA no processo seletivo mede uma situação que não vai existir no trabalho. O caminho é decidir antes qual sinal você quer ver (como a pessoa quebra o problema, o que confere, o que pergunta) e montar a etapa em volta disso. A leitura da NewHack sobre a Brex vai na mesma linha: a entrevista com IA tem que revelar raciocínio e julgamento, e não só a entrega.

    Se o estagiário vai trabalhar com IA no primeiro dia, o processo seletivo e o programa precisam ser desenhados pra isso também.

    Como a IA sai da engenharia

    Eu também perguntei da adoção fora da engenharia. Contei que no Brasil a gente chama isso de letramento em IA, e que tem empresa grande em que nem a liderança teve aula ainda.

    A resposta foi pela curva de adoção. Sempre tem quem está na ponta e uma maioria que quer usar pronto. A Brex facilita a vida de quem está na ponta, com revisão rápida de ferramenta e budget pra testar, e faz essas pessoas criarem o que serve pro resto.

    O front-end adotou o Cursor de cara. O back-end só adotou quando chegou o Claude Code, que funcionava no fluxo deles. A adoção veio quando a ferramenta passou a caber no trabalho de quem usa.

    Antes de comprar mais um curso, vale mapear quem já está na ponta em cada área, dar tempo e acesso e pedir que montem o jeito que o time vai usar. Isso inclui o estagiário: o uso médio de IA de quem está entrando ainda é básico, e capacitar é papel da empresa.

    Stanford: a feira de estágio e a conversa com a Gisele

    Em Stanford, voltando da lojinha, a gente caiu por acaso numa feira de estágio no meio do campus. Não deu pra entrar, já tinha almoço marcado. Mas a cena ficou: a empresa vai até onde o estudante está.

    Na Law School, a Gisele, brasileira fazendo mestrado em Direito, explicou o OPT: quem estuda nos Estados Unidos tem direito a uma janela de trabalho temporário depois do curso, pra ganhar experiência. O próprio sistema trata o primeiro trabalho como continuação da formação. Ela também contou que aplicou pra nove universidades e que muita gente faz mentoria só pra aprender a contar a própria história no personal statement.

    O estágio é a nossa versão dessa ponte, e pra funcionar assim precisa de desenho de ponta a ponta. E se a gente quer candidato que saiba contar a própria trajetória, dá pra ensinar isso dentro do processo.

    Agora: uma voz clonada ao vivo

    Na Agora, empresa de voz e vídeo em tempo real, o executivo gravou uns 45 segundos da própria voz e pouco depois tinha um avatar com a voz e a imagem dele conversando com a gente. Quando perguntaram como aquilo se aplicava na prática, o avatar respondeu: "Isso eu não sei. E prefiro não inventar na frente de gente que sabe checar."

    Saindo de lá eu falei pra câmera: dá pra usar em entrevista, em coach de vendedor. E no atendimento, que é vaga de turnover muito alto, um agente faz muito sentido.

    Pra RH, isso deixa duas tarefas. Muita vaga de entrada é de atendimento, então alguém precisa redesenhar quais tarefas de começo de carreira ficam com gente. E entrevista por voz com IA pede cuidado: a leitura da NewHack sobre a Agora lembra que contratação é área sensível, começa com escopo estreito e um caminho claro pra falar com uma pessoa.

    AGI House e SF Tech Week: comunidade como canal

    O fim de tarde foi na AGI House, casa de eventos e hackathons de IA frequentada por fundadores, gente de big tech e investidores. A noite fechou num painel da SF Tech Week sobre agentes de voz.

    A leitura da NewHack sobre a AGI House traz uma régua boa pra marca empregadora: densidade de talento não é tamanho de público. Em feira e evento com universitário, isso pede contar quantas conversas viraram uma segunda conversa, e não só quantos crachás foram distribuídos.

    Para continuar a série

    Os 10 insights sobre IA e primeiro emprego juntam os quatro dias, e lá tem um material pra baixar.

    Perguntas frequentes

    Comunidade fechada

    A conversa continua na sala

    No Clube RHZ, líderes de RH discutem com a gente, ao vivo, o que a nova geração e a IA estão mudando no trabalho. A entrada é curada e depende de aprovação.